segunda-feira, 3 de junho de 2013

A nossa porta.

Quando ela ainda está entreaberta e as pessoas que passam lá por fora ainda podem parar para espionar tudo o que acontece lá dentro sempre fica a possibilidade de alguém tentar entrar para te ajudar ou até mesmo para se intrometer em algo que não lhe diz respeito.
Mas mesmo assim, algumas pessoas insistem em que ela permaneça sempre assim, encostada.
Talvez por medo de se trancar do lado de dentro e não mais conseguir sair.
A verdade é que eu sempre a mantive fechada, por mais que você não acredite. Nunca a abri, não tive essa intenção, pois dentro dela estavam tudo o que eu precisava.
Estávamos nós.
Agora?
Ela está ainda fechada. Algumas pessoas insistem em bater.
Eu olho pelo olho mágico e quando percebo que não é você, insisto, teimo, mas não abro.
Ainda espero ouvir o som da fechadura se abrindo e por trás dela surgir você novamente.
Espero surgir o nosso sorriso outra vez.
Não faço questão mais de ver o que acontece do lado de lá.
Não tenho a menor curiosidade de onde você possa estar caminhando, ou até mesmo se encontrou outra para abrir e se trancar por dentro.
Sento-me e espero.
Me fazem companhia o meu violão com as nossas vozes desafinadas, o nosso filho que nesse momento está deitado ao meu lado no seu lugar da cama e todas as nossas lembranças.
Respiro fundo.
Tenho me alimentado dos nós da minha garganta já que nada mais passa por ela.
A situação não está confortável, mas já foi pior.
Se hoje apenas engulo os nós, e tento digerir que não há mais de nós, antes eu não conseguia nem pensar assim.
Então, se você ainda me lê, a chave está embaixo do tapete.
É só encontrá-la e abrir novamente.
Serás bem recebida como sempre foi.
E nos dizeres do tapete estará a frase:
"Nosso lar."
Entre sem bater, entre com sorrisos!
Te aguardo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Quer entrar?

Olá.
Esse sou eu. Muito prazer.
Um cara simples, que gosta de ajudar a todos o tempo todo e não busca nada em troca.
Que senta para tentar curar com sorrisos as lágrimas dos outros, mas que no fundo, não consegue conter as suas próprias.
Um sujeito que de tão simples, acaba se tornando composto.
Composto por agonias, tristezas e, não se espantem, medo.
É...
Aquele homem que saiu de casa para se aventurar sozinho em outros tantos cantos.
Que se diverte com tudo o que pode se divertir, mas que certa hora sucumbe.
Senta num canto qualquer e desaba.
As lágrimas internas não param de vazar. Os temores passam a se tornar tremores e logo se fica evidente que há algo de errado.
Aquela que o acompanha desde os três anos de idade acaba por gritar de dentro do peito para fora.
Deixa a respiração ofegante, os olhos esbugalhados e as bochechas levemente roxeadas.
E tudo acaba embrulhando com o nó na garganta.
E sobe pelas narinas até entre os olhos e o faz gemer de dores.
A noite gélida sem alguém por perto para acalentar faz com que se intensifique cada vez mais os sentidos.
E de longe, deitado no pé da cama, o seu único e fiel companheiro boceja já acostumado com a mesma cena diariamente.
Então repito.
Olá!
Esse, sou eu!
Será que ainda será um "muito prazer"?
Ou depois dessa descoberta você sairá correndo imaginando o problema que é me conhecer?
Pois as minhas agonias, tristezas e medos não irão desaparecer.
Você pode até as fazer diminuir, mas sempre irão viver dentro de mim.
Basta o primeiro deslize e elas voltarão a surgir.
E quem sabe se você irá aguentar, só você para responder!
Então, já que está aqui.
Entre, senta, escuta umas canções desafinadas do meu violão. Umas histórias sem pés nem cabeça da minhas ilusões. Beba um pouco do meu pequeno e fútil conhecimento. Tente se divertir.
Pois depois, quando você for embora, serei novamente eu e o meu fiel companheiro.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Teimosia

"E a porta que teima mais em não se abrir sozinha!
A cama teima em permanecer gelada.
E os cantos todos da casa teimam em permanecer vazios.
O olhar no espelho do banheiro teima em continuar sem graça.
Os banhos teimam em ser cada vez mais rápidos.
A teimosia da toalha rosa de não querer sair do box também continua.
E o cheiro doce do travesseiro continua teimando em entrar pelas minhas narinas.
O caminhar na rua teima em ser sem sorrisos.
E os filmes no cinema teimam em não ter mais emoção.
Por fim, eu, teimo em não querer te esquecer!"

PAPOS E SUPAPOS

Mi Papos y Su papos!

Popular Posts