quarta-feira, 4 de maio de 2011

Um sorriso muda tudo.

Era um tal de esconde-esconde que havia entre nós. 
Era uma venda nos olhos e aquela escuridão.
E no tal do tato tinha que te descobrir como um retrato.
Sem enxergar de verdade, te enxergar só com a mente.
Fechar os olhos e ver tudo o que estava na frente.
- Cuidado pra não tropeçar.
Todos gritavam sem parar.
E se escondiam ao redor uns dos outros para eu não te achar.

Brincadeira de criança?
Seria talvez uma dança?

Mas agora não mais! Chegou a hora da mudança.
A venda ia para outros olhos e os meus podiam te encontrar.
Sorríamos feito bobos e fugíamos sem parar.
E nossos risos eram soltos.
Estávamos livres a voar!
Não éramos pássaros, mas estávamos soltos no ar.

Era coisa séria?
Que paixão era aquela?

E os outros a nos procurar.
Fugimos da brincadeira e nos escondemos na beira.
Do mar, do prédio, do lar.
Não importava onde, importante era te sentir, te olhar.

E quando nos encontravam naquela brincadeira de pegar,
saíamos em busca de todos para mostrar,
que sorrir é a melhor forma de demonstrar,
o carinho, o afeto, o amar.

Pois quando falta tudo, um sorriso é capaz de mudar!


p.s.: À fada!

sábado, 30 de abril de 2011

Adeus agonia!

Era um aperto danado de estranho.
Como se estivesse sendo fincada uma estaca no peito de um vampiro tentando destruí-lo.
E aquela agonia toda de sentir o peito se derramar em lágrimas vermelhas.
A face se derreter em um líquido salgado.
Olhava com um olhar perdido para um lugar achado no horizonte da parede à sua frente.
Procurava nos seus pensamentos algo em que pudesse se perder em pensamentos soltos, mas todos estavam condenados àquelas velhas memórias de ontem.
E ante-ontem.
Semana passada.
Do ano que se passou dez anos atrás.
A compressão do peito era cada vez maior. Foi cada vez maior.
E ao olhar para os punhos, eles estavam cortados.
Ao olhar para os braços, encontrava-os amarrados.
Os pés não tinham mais força para erguer o guerreiro.
Era um sentimento tão forte e destruidor que não havia mais volta.
Foi ai, que ao forçar o último suspiro, o guerreiro preso na sua própria cela, conseguiu enxergar.
Aqueles olhos. Aquele olhar.
Aquela pele corada.
Se debruçara sobre ele e falou-lhe nos ouvidos.
Era a doce voz de tempos idos. Era a assassina de agonias que voltara para salvar-lhe dos seus temores.
Ela dizia:
- "Eu ainda estou aqui! Lembra-te e levanta-te meu guerreiro!"
Por segundos o guerreiro relutou, sentiu a agonia ir embora, mas já era tarde.
Era por volta das oito e meia da noite daquele dia santo.
O guerreiro suspirou profundamente e revelou o que tanto lutou para revelar.
Ele disse:
- "Você chegou tarde, eu não te amo mais!"
Livrou-se das garras da agonia e partiu para o outro plano, onde lá ele poderia ser feliz novamente, e voltar a amar!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Carro de turista suíço invade as areias da praia de Barra Grande na ilha de Itaparica/BA.

Caros amigos, hoje abrirei mão dos contos e poesias que costumo escrever aqui para abrir espaço à uma denúncia.
Sim! Denúncia que será feita por mim, um simples morador do bairro de Barra Grande localizado no município de Vera Cruz na região metropolitana da nossa querida cidade de São Salvador na Bahia.
O que pensa um turista ao sair do seu fabuloso mundo desenvolvido, no caso a Suíça, para vir passear em um paraíso como este em que vivo? Pois sim, é um paraíso. Uma ilha, cercada por praias belíssimas de águas limpas e claras, sem ondas, cercada por recifes de corais, habitat dos mais lindos peixes que possam ser encontrados.
Costuma ser assim, mas há algo que me incomoda. Acredito que não só a mim, como a todos que visitam esse paraíso ainda não entregue às selvas de pedras que são erguidas por aí.
O que me incomoda é o mesmo que acabou incomodando um turista suíço que veio à nossa ilha descansar, tirar as suas merecidas férias.
Primeiro incômodo é, o altíssimo valor cobrado para a travessia de veículos no sistema de ferry-boat com o péssimo serviço oferecido.
Vos falo isso com toda convicção de que não sou o único a reclamar.
Uma travessia precária, com terminais do mais baixo nível para recepção tanto dos turistas, como o Senhor Gregório, como de moradores como eu. 
Como segundo ponto a ser registrado, o descaso com as pessoas que são obrigadas a usar um dos únicos meios de transportes existentes aqui.
Lotações em péssimo estado de conservação que normalmente são encontradas com sua capacidade de passageiros acima do limite e que, por incrível que pareça, tem trânsito livre no posto da polícia rodoviária localizado no mesmo bairro em que vivo.
Outra opção de transporte seriam os táxis oferecidos, mas, em contra-partida, infelizmente, a maior parte da população residente na ilha não tem condições financeiras de se dar a esse privilégio todos os dias da semana.
Ou, por último, aos turistas, restam o aluguel de automóveis, como fez o senhor Gregório, ponto-chave dessa denúncia.
Então vamos ao que realmente nos interessa expor.
Um turista, que está saindo do seu país de origem para conhecer outra cultura, investir dinheiro na nossa economia, chega ao nosso país, procura um local dito paradisíaco e encontra desde a sua chegada até pouco antes do seu momento de estadia, buracos pelo caminho.
As cenas que iram ver agora foram fotos tiradas por mim, no meio da noite de hoje, chamado às pressas por vizinhos. Por sorte ninguém se feriu no acidente, mas a imagem que fica do nosso paraíso, e a imagem que vai para outro país da nossa cultura é essa.

(Carro alugado por turista para visitar a ilha de Itaparica/BA)
Onde deveria haver rua para carros e pedestres passearem e se locomoverem na orla de Barra Grande, podemos infelizmente ver crateras e a falta de vergonha dos senhores de obra do município que dizem não conhecer os problemas existentes na região.
O carro alugado pelo senhor Gregório, ao fazer uma manobra para tentar sair de uma dessas crateras, foi engolido por outra.
Nos perguntamos, o problema é o motorista?
A resposta que lhes dou, como morador da localidade é não!
(Após uma manobra para fugir de uma cratera, a surpresa,
outra cratera)
A culpa é da iluminação precária do local, da falta de estrutura da região e da falta de quem comande o município.
Difícil crer que um prefeito do partido da situação não tenha apoio do governador do estado e que deixe que o município chegue nesse estado.
A realidade é dura não?
Eu vivo aqui, eu sei o que acontece na região, eu sei quem devo criticar e quem não devo.
O povo não tem estrutura para reclamar.
Escutei de um dos próprios moradores da região que quando ele necessitou comprar remédio para um dos seus entes e não teve condições, recorreu ao prefeito da época e foi presenteado com tal medicamento e como agradecimento ele deveria manter o seu voto naquele senhor que o presenteava.
Sei que essa realidade não é apenas do lugar onde vivo, sei que existem muitas outras regiões afetadas pela mesma incompetência e descaso das autoridades, mas acredito também, que se todos lutássemos contra essa pouca vergonha que existe em nossas cidades, se todos nos uníssemos, sairíamos vitoriosos.

(Distância entre areia e residência, onde deveriam passar
automóveis e pedestres, passam pedestres com medo de um
possível acidente e alguns corajosos motoristas que tem
necessidade de passar por ai.)

Falta conscientizar que para termos uma vida digna precisamos ter pessoas dignas no poder e não esses "falastrões" que se encontram num nível hierárquico ilusório de que "manda quem pode, obedece quem tem juízo".

Não terei juízo, não me calarei, sempre que puder levantarei a minha voz para atingir a quem tem de ser atingido.
Sou formado em Hotelaria pelo Centro Universitário da Bahia e me sinto envergonhado ao ver como nossos turistas são recebidos e, pior ainda, como nós somos tratados por nossas autoridades!
Espero sinceramente que consiga provocar, se não o mesmo sentimento de abandono e descaso, ao menos o sentimento de indignação por tamanho abandono.
Obrigado por me lerem! Divulguem!

(Mais uma residência com um pequeno espaço para a chegada
do mar)

(Carro de um turista invade as areias de Barra Grande)
Senhor prefeito e senhor secretário de obras, espero que leiam e se conscientizem de que algo está errado. Por favor, desçam dos seus carros e caminhem por nossa orla, ou melhor, apenas tentem, se tiverem coragem e um pouquinho de dignidade!

Texto e fotos por: Flávio Catão.

PAPOS E SUPAPOS

Mi Papos y Su papos!

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