terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pranto de menino.

Eis que ecoa em meio a nossa mãe natureza adotiva um choro.
“Mas que pranto será este?” – nos perguntamos.
Sentimentos contrários pairam sobre as nossas mentes.
“Choro de alegria ou de tristeza?”
Até que um de nós recita.

“É choro de menino que briga com a mãe natureza,
Choro de criança que corria solta,
Mas que hoje vive presa.
Menino que carrega a história na mão
E pureza n’alma e no coração.
Menino daqueles acostumado a correr e sorrir,
Mas que hoje vive a fugir.
É pranto, desespero, angústia,
De quem muita terra teve e hoje vive na luta.
Menino que teme em olhar pra frente,
Imaginando que encontrará mais um da gente.
Menino que é difícil sorrir,
Mas que é fácil iludir.
Menino que quando acorda, cresce,
E que quando cresce, foge,
E que quando foge se perde,
E quando se perde, chora.
E que quando chora ajoelha no chão e em desabafo..."

“- Mamãe natureza que me adotou, se a senhora tivesse o dom de ouvir a minha lágrima cair, poderia sim entender uma gota da minha dor. Mas com os anos seu chão se alterou me deixou perdido e não sei pra onde vou. Guia-me para casa novamente, casa da mãe natureza da gente. Aquela casinha de sapê que deixei ao crescer, mas que hoje insisto em rever. Donde a natureza que me cercava era viva e não essas muralhas por homens erguidas. Leva-me aos braços da minha mãe verdadeira e salve-me dessa selva de pedra que me rodeia. E que meu pranto se faça valer, para que esses homens daqui não possam me esquecer. E que sintam que há muito mais pra aprender do que uma única forma de tentar não sofrer. E que nem tudo na vida que é verde trás riqueza, mas que rico é quem ama a minha mãe verdadeira, a minha mãe natureza.”

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Lembranças.

Lembra?! Andávamos juntos para todos os lugares. Íamos sempre à mesma direção. Onde eu estivesse era certeza te encontrar e vice-versa.
Lembra?! Éramos como um só. Se tentássemos nos separar algo imprevisível nos unia novamente. Éramos como pólos distintos de um imã.
Lembra?! Passávamos pelas pessoas sorrindo. Caminhávamos pelas ruas como duas crianças indo ao parque. Diziam-nos que éramos um o outro.
Pois é, eu lembro, e as lembranças que o tempo deixou me fazem sorrir.
Lembra?! Já sorrimos bastante juntos e choramos muito também. E hoje me pergunto “Para que?”. Até que encontrei a resposta.
Lembra?! Te disse certa vez que nada era para sempre. Eu estava errado. As lembranças são.
Lembre-se.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Agonia.

Onde estou?
Que lugar é esse?
Não consigo mais respirar.
Me falta fôlego para gritar.
A ansiedade me deixa temeroso.
O peito dói, aperta, machuca.
Agora vejo as minhas mãos atadas, sem que eu consiga mover nem mesmo os meus dedos.
Minhas pernas acorrentadas a algo que eu não consigo identificar o que é.
As correntes seguem por corredores escuros que parecem não ter fim.
Não consigo enxergar o que está me prendendo.
Quero me soltar. Tento me virar, mas algo mais forte do que eu me mantém de frente para um mundo negro, cada vez mais assustador.
Tento me sentar. Não consigo.
Tento descansar. O corpo não quer.
Escarro vermelho. Não me alimento mais.
Viro o pescoço, tento te acompanhar.
Não dá mais. Você partiu. Fugiu da minha vista.
A minha vida passou agora, diante dos meus olhos, e eu não a identifiquei. A perdi novamente.
A que horas passa o próximo trem?
O peito ainda dói.
Estendo os braços. Ambos. Estou amarrado.
Ninguém para. Ninguém ajuda.
Onde? Quem? Como?
Ajuda!
Agonia!
Por fim. Agonizo.

PAPOS E SUPAPOS

Mi Papos y Su papos!

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